Vestibular de informática: que curso escolher?

Várias instituições particulares de ensino estão abrindo ou já abriram inscrições para o processo seletivo e, nesta hora, a dúvida recorrente é sobre a variedade de nomes e cursos, todos na área de Tecnologia da Informação. Em determinadas situações, cursos parecidos são oferecidos com nomes diferentes e, na hora da inscrição, é comum se perder. Vale a pena ficar atento às necessidades individuais e, principalmente, sobre a possibilidade de fazer cursos técnicos para agilizar a entrada no mercado de trabalho – para que, após quatro ou cinco anos de estudos, você não saia da faculdade frustrado.

Paulo Rebêlo / Folha de Pernambuco

Engenharia da Computação, Ciência da Computação, Sistemas da Informação, Administração e Sistemas, Suporte e Desenvolvimento de Hardware, CTDS, CTRA… são apenas algumas das definições e siglas de cursos técnicos e superiores relacionados à informática. Para quem tem aptidão a computador e quer se dedicar, o primeiro “bug” pode aparecer justamente em uma escolha errada do curso na hora do vestibular. É preciso identificar o seu perfil e saber concretamente a quem os cursos se destinam.

Por ser uma área sempre dinâmica e com grande procura, a informática tem um diferencial bem interessante: a oferta de inúmeros cursos técnicos de qualidade, ou seja, não são cursos superiores (diploma de 3º grau), mas ao mesmo tempo requerem empenho e dedicação dos alunos. Em determinadas situações, o curso técnico em informática pode até abrir as portas do mercado de um jeito mais rápido do que o estudo tradicional na universidade.

De acordo com os profissionais da área e de ensino consultados pela Folha, a crescente dificuldade em ingressar em uma universidade de renome também serve como reforço para o aumento da procura pelos cursos técnicos. E em alguns casos, o aluno pode sair do curso técnico direto para um curso superior, recebendo dois diplomas no final dos estudos e podendo exercer atividades qualificadas antes mesmo de completar os tradicionais quatro ou cinco anos de aulas.

Teoria e prática: o eterno dilema —

Não chega a ser novidade que o Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é um dos mais premiados do Brasil. No entanto, a própria UFPE oferece duas graduações diferentes – Engenharia da Computação e Bacharelado em Ciência da Computação – e não está imune a determinadas críticas do mercado. Apesar de a diferença de tempo para se formar entre os dois cursos ser de apenas 6 meses, a coordenadora Edna Barros explica que o aluno precisa entender o tipo de perfil que deseja seguir na carreira. “O bacharelado em Ciência da Computação tem duração de quatro anos e meio, capacita o aluno a desenvolver sistemas (software), aprender metodologia e técnicas para diferentes áreas como banco de dados, inteligência artificial, computação gráfica e interface homem-máquina. Na engenharia, com duração de cinco anos, ele não irá apenas desenvolver sistemas, mexe muito com hardware e comunicação. Ou seja, é uma formação mais eletrônica, com conhecimento básico em software”, enumera Edna.

O Bacharelado em Ciência da Computação também é oferecido na Unicap, com o diferencial de que é possível cursar à noite, situação que não ocorre na UFPE, um dos principais motivos de crítica de alunos e empregadores. O técnico Max Arruda Diniz é aluno do último período noturno do curso de Sistemas da Informação na Universo e, quando fez vestibular, não pensou duas vezes em optar por uma instituição particular. “Ninguém questiona a qualidade do curso na Federal, a gente sabe que é ótimo, mas não dá para comparar as opções para quem já tem emprego ou quem quer se empregar. Os cursos noturnos são a única a alternativa, não é todo mundo que pode ficar estudando pela manhã ou tarde. Sem contar que várias faculdades particulares possuem, no quadro de professores, vários que também ensinam na UFPE”, pondera Diniz, que acredita haver um nicho de mercado para cada curso e cada tipo de perfil, a exemplo do colega Leonardo Viana.

SEMELHANÇAS — A graduação em Sistemas da Informação é outra opção que confunde os futuros alunos de informática por causa da nomenclatura, diferente das tradicionais Unicap e UFPE. O diretor de pesquisas e pós-graduação da Universo, Mêuser Valença, explica que a Sociedade Brasileira de Computação recomendou às instituições convencionar os cursos superiores com duração de quatro anos como Sistemas de Informação. “É uma recomendação, as instituições é que escolhem se devem seguir. Antes, tínhamos também o de Análise de Sistemas, hoje juntamos tudo. O nosso enfoque é a engenharia de software, programação/desenvolvimento e sistemas inteligentes”, destaca Mêuser, que também é professor na UFPE.

Na Faculdade Maurício de Nassau, a confusão é ainda maior porque Sistemas da Informação é ofertada em duas vertentes: vinculada ao curso de Administração e de forma independente. O assessor da superintendência da instituição, Cláudio Vasconcelos, diz que o curso vinculado à Administração emite “o diploma de Administrador com linha de formação em Sistemas da Informação, mas não é tão técnico e específico quanto a graduação independente”. Na Faculdade Boa Viagem (FBV), a oferta é em Ciência da Computação, quatro anos e meio. O coordenador do curso, Lauro César Filho, garante que o foco é para o mercado de trabalho. “As universidades tradicionais não conseguem mudar a grade curricular de forma rápida, mas aqui a gente já começou com uma grade específica para atender às demandas das empresas”, garante Lauro.

Exclusividade ou emprego garantido?

Edimar Santos é o outro exemplo da necessidade de estudar enquanto mantém um emprego. “Interessei-me pela área de informática e quero trabalhar fazendo atendimento em domicílio ou um estágio em empresa de hardware, mas ainda não decidi se farei o curso superior quando terminar o técnico”, pondera. A coordenadora Edna Barros, da UFPE, defende o sistema de dedicação exclusiva. “O foco do nosso curso é este, achamos que após um dia inteiro de trabalho e para cursar à noite, o aluno não terá o rendimento adequado”, explica.

Edna lembra que a universidade oferece bolsas de iniciação científica e vários projetos desenvolvidos pelo CIn em parceria com empresas. “Mesmo assim, nosso plano aqui no CIn é abrir o curso de Sistemas da Informação com duração de quatro anos e, talvez, à noite”, antecipa Edna, frisando que ainda não há maiores detalhes sobre previsão de abertura e grade curricular, pois tudo está sendo estudado. Lauro César, coordenador na FBV, reforça que apesar de o curso da instituição ser Ciência da Computação, “todos os alunos podem se certificar em técnico em Java após um ano e meio na graduação, pois uma de nossas principais metas é inserir o aluno no mercado logo”.

Cursos técnicos são mais curtos —

As ofertas de cursos se multiplicam a cada ano. Uma das opções para quem se considera vocacionado na informática são os cursos técnicos, uma espécie de “abre-portas” para o mercado de trabalho. Em geral, esses cursos tem duração menor – de um a dois anos – e mensalidades reduzidas.

Na Unibratec, que é dedicada exclusivamente a cursos de informática, a procura pelos cursos técnicos supera em muito a dos dois cursos superiores.

O diretor-superintendente da instituição, David Stephen, relaciona diretamente a demanda das empresas com a procura pelos cursos técnicos. “Há uma cegueira muito grande das instituições de ensino sobre o setor de tecnologia. A grande dificuldade do Brasil, e justamente a principal demanda, é de formar técnicos, não teóricos. A resposta disso tudo é muito simples: empregabilidade. As pessoas conseguem de fato entrar no mercado de trabalho como técnicos, depois fazem a opção de seguir um curso superior ou não. Hoje em dia, tem muita gente se formando na graduação superior e ficando a ver navios, desempregado”, opina Stephen, com a autoridade de quem gerencia o maior campus de informática de todo o País.

Estudante do último período de computação na Unicap e trabalhando no Cesar, Mariana Cervino acredita que a faculdade é essencial para a titulação do aluno, mas para o mercado de trabalho, a realidade é que os cursos técnicos resolvem de imediato. “Aprendi muita coisa [no curso técnico] que nunca vi na faculdade, essas questões de natureza mais prática, de soluções de problemas”, esclarece Mariana, que está ingressando em uma pós-graduação em Engenharia de Software.

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