TV de plasma? Cuidado com as desvantagens – parte 2/2

Afora o preço, a TV de plasma não é a mais adequada para qualquer consumidor. Varia pelo uso: para games, TV aberta e computador não é o melhor. Para Copa do Mundo, depende.

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Paulo Rebêlo / Webinsider / Folha de Pernambuco

A televisão comum recebe o sinal analógico das transmissoras e a imagem é escalonada no chamado formato padrão 4:3, que significa 4 de largura por 3 de altura. A televisão de plasma é digital e trabalha com o formato usado no cinema e em filmes de DVD. É o chamado widescreen, de medida 16:9 ou 16:10, um retângulo.

Se você assistir canais abertos, como novelas ou os programas locais, a imagem será 4:3 que, se for esticada para os 16:9 da sua tela de plasma, irá gerar uma distorção perceptível na imagem. Mesmo na TV por assinatura, a maioria dos canais são exibidos em 4:3. E qual seria a solução? O jeito é assistir em 4:3 na tela de plasma, o que irá gerar duas tarjas pretas, grandes, nas laterais da tela − justamente a porção de imagem que não está sendo utilizada. Ocorre que a solução é um problema ainda maior, porque se as tarjas pretas ficarem por horas seguidas, elas irão manchar o plasma, causando o efeito burn-in. Para 100% de satisfação, só mesmo os filmes em DVD em widescreen, que encham a tela.

Segundo a gerente de produtos da LG, Fernanda Summa, o recomendado pela empresa é que “ninguém assista nada com tarjas pretas por mais de uma hora na TV de plasma, pois além desse tempo a tela pode realmente ficar marcada pelo burn-in”. Ou seja, nada de três novelas seguidas para os noveleiros de plantão. (Veja mais: Vai comprar TV de plasma? Cuidado com o burn-in..)

O comerciante Marco Antônio de Sousa foi um dos que quase viram o investimento na TV de plasma ir pelo ralo. “Como eu estava acostumado com a imagem 4:3, optei por assistir programas com as tarjas pretas, mas não sabia dos problemas de burn-in. Depois de um tempo, a tela estava praticamente toda manchada, uma coloração diferente que tornou-se gritante até quando fui assistir filmes em DVD”, explica Sousa, que depois de meses entre assistência técnica e fabricantes, conseguiu trocar a TV.

Sousa complementa: “é engraçado, porque o próprio manual indicava que poderia ocorrer manchas permanentes na tela em caso de imagens paradas (estáticas), mas era completamente omisso em relação às tarjas pretas, que é um recurso oferecido pela própria TV. Ou seja, um recurso da própria TV danifica a tela”, lamenta. O modelo em questão era um Philips e, de acordo com Sousa, a fabricante trocou o televisor em pouco tempo e o atendeu muito bem. Procurada pela reportagem para comentar sobre os efeitos de burn-in, a Philips informou que nenhum porta-voz da empresa estava disponível.

Games na tela grande também prejudicam

Jogar videogame em uma TV de plasma é outra tentação, sobretudo com os consoles novos como Xbox e Playstation 2. Com a celeuma gerada pelas manchas na tela, as desenvolvedoras de jogos começam a repensar o costume de exibir marcas estáticas. Por exemplo, em jogos de tiro, a interface (chamada de HUD) com os detalhes sobre energia, munições e mapas, fica parada o tempo todo. Resultado: após algumas horas de tiros e explosões, a TV de plasma corre o sério risco de ficar marcada.

De acordo com o ex-designer de conceitos da Acclaim Studios, Greg Wilson, os HUDs são uma verdadeira praga nas TVs de plasma. “Cientes da situação, os desenvolvedores tentam reverter o quadro melhorando a jogabilidade, de uma forma tal que o jogador não precisa de imagens estáticas com informações sobre o jogo”, antecipa. Wilson enumera o exemplo do game King Kong, baseado no filme de 2005 de Peter Jackson, onde não há qualquer imagem estática.

“No Call of Duty 2, a situação não é 100% boa, mas os produtores melhoraram bastante e diminuíram a quantidade de informações no HUD”, explica. Ele ainda deixa a dica: em vários jogos de tiro, como Doom 3, Quake 4 e outros, existe a opção de eliminar o HUD por conta própria, indo nas configurações. Apenas não é o padrão, o usuário tem que configurar”.

LCD ou plasma, o que é melhor?

Uma outra opção disponível no mercado são as telas de cristal líquido, o LCD. O especialista em tecnologia da informação e criador do iBuscas, Eduardo Favaretto, explica a diferença entre as duas: “a principal diferença é formação da imagem e a resolução, que no LCD varia de 1024×768 a 1920×1080 pixels, associada a um baixo consumo de energia.

A tela de LCD é mais usada atualmente para dispositivos pequenos, como displays de celulares, equipamentos de som para carros e monitores de computador, além de TVs abaixo de 42 polegadas”, explica.

O LCD também apresenta problemas, que são menos graves. Em imagens muito rápidas, às vezes é possível identificar rastros na tela, o chamado efeito fantasma ou “ghost”. Esses rastros são instantâneos, não mancham e não queimam a tela, mas incomodam bastante. Isso ocorre, também, porque o sinal é analógico.

Para uso em computador, o problema é facilmente solucionado ao comprar um cabo digital de conexão entre o monitor o PC, chamado de cabo DVI, o que acaba com o efeito fantasma e melhora consideravelmente a qualidade da imagem. Mas não funciona em televisão. Entre as desvantagens do LCD, é que a relação brilho/contraste não é tão vibrante quanto o plasma.

Futebol 100% digital só em São Paulo

Se a Copa do Mundo é o referencial para comprar uma TV de plasma, é bom ficar sabendo que somente na cidade de São Paulo haverá transmissão 100% digital com todos os recursos disponíveis. Uma parceria da TVA Digital e da BandSports irá transmitir os jogos em alta definição (HDTV), com resolução de 1080 linhas. As TVs comuns e o sinal analógico, por exemplo, transmitem com apenas 400 linhas. O serviço deve começar a ser implementado no Rio de Janeiro no final deste ano, em Curitiba no ano de 2007 e sem a menor previsão para as demais áreas.

Para quem está fora de São Paulo, algumas operadoras como Sky e DirecTV vão oferecer planos para transmitir os jogos em widescreen 16:9 e, eventualmente, com som digital − mas até agora não há um padrão nas empresas para todo o Brasil. Quem for assistir aos jogos da Copa pelos canais abertos ou pela TV por assinatura que transmita em sinal analógico, que são a maioria, não terão a melhor imagem no plasma e irão sofrer os mesmos riscos mencionados na reportagem, de manchas na tela e distorção das imagens. No Recife e em outros estados brasileiros, algumas operadoras oferecem pacotes com a Rede Globo no formato digital, por um custo adicional.

Vantagens e desvantagens da TV de plasma
Prós:
– cores mais vibrantes
– ângulo de visão mais amplo
– contraste aprimorado, melhor do que telas LCD
– tamanhos de tela a partir de 42 polegadas, modelos de até 103 polegadas
– ideal para DVDs e sinal digital em widescreen 16:9

Contras:
– alto consumo de energia
– ao ficar muito próximo da tela, é gerado um efeito flicker que cansa a vista mais rápido
– imagens estáticas e tarjas pretas nas laterais queimam a tela
– para ser usado como monitor no PC, é inferior ao LCD por conta da resolução em pixels.
– possui mais reflexo do que o LCD, deixando a tela “espelhada” se houver incidência de luz direta (janela aberta, por exemplo), fenômeno também conhecido em monitores CRT.

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