A polêmica sobre O Código da Vinci – parte 1

Não se fala em outra coisa: a estréia deste filme. Quase todos os dias, há alguma pseudo-novidade. Vamos tentar entender, em partes, o motivo de tanta polêmica. Adaptação no cinema do best-seller homônimo de Dan Brown, a trama de O Código da Vinci gira em torno da clássica pintura de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, em que Jesus Cristo está sentado com os apóstolos para uma refeição. A tese defendida pelo livro/filme é que a pessoa sentada à direita de Jesus não é apóstolo João, é Maria Madalena. E ela não seria a famosa prostituta que há séculos os cristãos acreditam que seja. Seria a esposa de Jesus, esperando um filho dele, segredo que a Igreja Católica teria acobertado por 2 mil anos.

Paulo Rebêlo / Folha de Pernambuco / Revista Pipoca Moderna

Na teia de mistérios e conspirações, os protagonistas descobrem que há outros segredos em códigos e mensagem cifradas, contidas nas obras de Da Vinci – a começar pelo enigmático sorriso da Monalisa. Entre as principais polêmicas, temos a busca pelo Santo Graal, também conhecido como Cálice Sagrado, que não seria o famoso cálice da refeição – seria, sim, a linhagem de Jesus Cristo (os descendentes) que a Igreja supostamente escondeu durante todo esse tempo.

ECOS DO CINEMA – Dan Brown não é o primeiro a polemizar com a Igreja Católica e com supostos segredos religiosos. No entanto, o Código da Vinci tem dois sérios agravantes: 1) o livro foi lido por um número exponencial de pessoas mundo afora, gerando um tsunami de bate-boca em bares, escolas e universidades; 2) antes do livro, a imagem da Igreja Católica já estava em declínio acentuado. Então, uma polêmica que coloca a Igreja como a grande vilã só tende a agradar bastante gente.

Uma bom exemplo é lembrar do romance ‘O Nome da Rosa’, de Umberto Eco, publicado em 1981. Cinco anos depois, Hollywood adaptou a obra para o cinema com Sean Connery e um ainda adolescente Christian Slater. Na época, a polêmica era revelada de uma forma bem mais carnal, inclusive. A diferença é que, em pleno 2006, a gente consegue contar nos dedos quem realmente leu o romance original. Com o Código da Vinci, não é assim.

Há inúmeros exemplos de filmes que chegam à tela grande com o respaldo de um livro de sucesso mas, sempre, esbarram no baixo índice de leitura. A literatura não tem o mesmo alcance do cinema, sobretudo no Brasil. Um livro com 40 milhões de cópias vendidas tende a ser analisado por um universo de pessoas bem maior do que aquelas que assistiram, por exemplo, o hoje clássico Parque dos Dinossauros (Jurassic Park) de 1993. Um verdadeiro arrasa-quarteirão digno de elogios, o filme de Steven Spielberg não havia encontrado o mesmo sucesso nas livrarias anos antes, cujo livro de Michael Crichton é muito, mas muito melhor do que o filme.

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