Herói e Clã das Adagas Voadoras chegam juntos em DVD

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Paulo Rebêlo
Revista Pipoca Moderna // setembro 2005

Nos cinemas brasileiros, o diretor chinês Zhang Yimou teve seus dois últimos filmes exibidos ao mesmo tempo. Herói (Ying xiong, 2002) e Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, 2004) já estão disponíveis em DVD e trouxeram ao Brasil o que há de mais avançado e bonito no cinema chinês. Os efeitos de câmera e o ritmo das histórias deixam qualquer mago de Hollywood com os cabelos em pé e, claro, atraíram as atenções dos brasileiros cansados da fórmula maniqueísta típica – de heróis e vilões estereotipados.

Com o lançamento quase simultâneo no Brasil, torna-se difícil não comparar os dois. O diretor é o mesmo e uma das atrizes, a ninfeta Zhang Ziyi, também está presente em ambas as produções. Apesar de temáticas aparentemente distintas, Herói e Adagas Voadoras compartilham um alicerce similar: o abrir mão de uma causa pessoal por uma causa maior. O “greater good” é retratado com maestria na história de Herói, cujo protaganista, Jet Li, é mais conhecido pelos filmes de artes marciais campeões de bilheteria na China.

O mesmo tema é tratado em Adagas Voadoras, porém, de uma forma bem mais palpável ao gosto ocidental – o amor e suas desilusões – enquanto que, em Herói, há um contexto histórico e político bem mais presente. Motivo pelo qual, no Brasil, o gosto médio do público tende a preferir (e a entender melhor) a história contada pelo Clã das Adagas Voadoras a qual, querendo ou não, cedeu um pouco ao melodramático padrão no final do filme. Embora não enfraqueça seus méritos, há de se frisar.

Os dois filmes são frutos de uma nova geração do cinema chinês, ressuscitando um estilo tão popular nas décadas de 60 e 70 na China: os filmes de Wu Xia. A palavra, cuja pronúncia mais correta seria algo como “oo-shyah”, significa “arte marcial medieval” ou “arte marcial montada” que, em bom português, é muita luta com espadas, lanças e cavalos. O retorno desse estilo teve início ainda em 2000, com “O Tigre e o Dragão” (Wo hu cang long) de Ang Lee.

Logo, não espere a habitual pancadaria de socos e pontapés, pois a história é outra, bem mais literata e visual. E é justamente o visual que consegue encantar tanto, como nenhum filme do Ocidente parece conseguir. Em Herói, mesmo que o filme termine e você não entenda exatamente onde está a “causa maior” (por causa do contexto histórico da China), você certamente irá querer assistir de novo só para ver as paisagens e as cenas coreografadas, acredite.

O diretor Zhang Yimou é bem conhecido dos brasileiros, apesar de nem todos terem ligado o nome à pessoa. Foi ele que dirigiu, em 1991, o clássico “Lanternas Vermelhas” (Da hong deng long gao gao gua) e, no ano seguinte, “A História de Qiu Ju” (Qiu Ju da guan si), ambos estrelados por Gong Li, a atriz chinesa mais requisitada naquela época. Não à toa, Zhang Ziyi está sendo considerada, hoje, a Gong Li contemporânea de Yimou.

Um detalhe: esqueça o nome de Quentin Tarantino na capa do DVD de Herói e no crédito inicial que surge antes do filme. A participação dele é nula. Tarantino assistiu ao filme quando esteve no Oriente, gostou e resolveu ajudar a convencer a Miramax a bancar a distribuição nos Estados Unidos. Por isso aparece apenas “Quentin Tarantino apresenta”. Como no cinema também não existe almoço grátis, a Miramax cortou quase 20 minutos da versão original e essa foi a cópia que passou nos cinemas americanos e chegou por aqui.

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