O capeta do copyright

Paulo Rebêlo
Revista Backstage
Janeiro 2005

Pew Internet. É um nome engraçado e pouco conhecido, mas quem acompanha o mundo da música online sempre esbarra neste instituto de pesquisa, cujo nome completo e oficial é Pew Internet & American Life Project. Para quem gosta de pesquisas de opinião, o site da empresa é um prato cheio. Não precisa ficar procurando ou clicando à toa, as principais e mais recentes pesquisas ficam logo na primeira página, separadas por temas. Também não importa se a maioria das pesquisas de opinião são tendenciosas, muitas vezes inócua e normalmente sem uma metodologia clara para o leitor. Na prática, os institutos divulgam o resultado das pesquisas e a imprensa publica o recheio sem muitos questionamentos.

Já usamos resultados de pesquisas da Pew Internet em colunas anteriores, visto que é interessante o jeito como conseguem arrancar um pouco de polêmica em cima de coisas tão simples. A mais recente jogada da Pew é que “artistas e músicos concordam que compartilhar músicas sem autorização dos autores deveria ser ilegal, mas a grande maioria não acredita que isso [o compartilhamento] represente um risco a ser levado em consideração — ou sequer um risco de fato”.

Na pesquisa da Pew Internet, que durou apenas um dia (há de se realçar), 52% dos artistas entrevistados acham que compartilhar música deve ser ilegal mesmo, enquanto 37% pensa o oposto. O dado mais interessante é que apenas 15% dos entrevistados acham que os usuários finais devem ser os responsáveis por carregar processos judiciais nas costas, no advento de quebrar as leis de copyright por compartilhar música online. A maioria acredita que a responsabilidade deve cair sobre as empresas por trás dos programas P2P, que permitem o ato de compartilhar as músicas protegidas por lei.

JOGUEM OS DADOS – Deixando de lado a questão técnica, coloquemos o olho na questão pragmática. Pesquisas como essa da Pew valem pela polêmica de colocar artistas contra artistas sobre a suposta pirataria de música na Internet. Não chega a ser novidade, mas não é de novidades que tratamos aqui.

Quando parte da categoria se posiciona contra a outra parte, é bom notar que sempre aparece um ‘famoso’ para se posicionar e colocar ainda mais lenha na fogueira. Quem entrar na sessão de vídeos do Universo Online, por exemplo, poderá ler uma recente declaração do Ed Motta sobre pirataria. É a opinião dele sobre toda a celeuma das gravadoras. Até declaração de Caetano Veloso (…) já foi mote para uma coluna nossa. Qualquer dia iremos juntar tudo em uma coletânea e publicar – claro que o Caetano vai dizer que não disse isso ou aquilo, mas não importa…

No cenário internacional, tem o caso interessante da Wilco. Talvez muitos não conheçam de nome, mas certamente já ouviram alguma coisa. Em 2001, a banda foi deixada de lado pela Reprise Records, após discussões em relação ao álbum Yankee Hotel Foxtrot, por sinal bem bacana. O problema é que a banda resolveu colocar todo o álbum de graça na Internet, para quem quisesse escutar. Não podia fazer o download, mas podia ouvir com qualidade boa pela rede, em streaming.

O resultado da empreitada, como era de esperar, foi um sucesso. Assim como foi sucesso todas as iniciativas que abraçam a Web, e não a atacam como a encarnação do capeta do copyright. O álbum lançado em seguida fez mais sucesso nas paradas do que todos os outros anteriores, agora por outra gravadora, a Nanosuch.

Não apenas nos Estados Unidos, mas sobretudo em outros países, foi naquela época que Wilco ficou bastante conhecida. E as propostas de abraçar a Web continuaram, com direito a faixas inéditas na Internet, além de retransmissões de shows ao vivo, com ótima qualidade de imagem, e singles. Quando lançaram o álbum A Ghost is Born, atingiram a oitava posição no ranking da Billboard – o máximo até agora de toda a carreira da banda. O líder da banda, Jeff Tweedy, não cansa de se posicionar contra o discurso pelego da indústria fonográfica sobre as questões envolvendo direitos autorais e pirataria.

ENQUANTO ISSO – Shawn Fanning, aquele guri que inventou o Napster quando cursava faculdade, não sai da mídia. Depois de ter virado quase um executivo pela Bertelsmann, que comprou os direitos da marca por milhões de dólares, ele agora anunciou em público um novo serviço (mais um) de troca de arquivos P2P, legalizado. Desta vez, com o apoio da Universal Music para distribuir músicas registradas. O noticiário da gringolândia diz que o projeto já recebeu investimentos de US$ 10 milhões. Sinceramente, dez milhões de verdinhas para um software P2P que não vai dar certo como a indústria gostaria, é um ótimo jeito de otimizar custos.

O nome do programa, até agora, é Snocap. Previsão para entrar no ar é para o primeiro semestre de 2005. De acordo com Fanning e a Universal, vai contar com um catálogo de músicas praticamente infinito, incluindo músicas antigas, versões ao vivo, obras que não são mais vendidas e últimos lançamentos. A idéia é resolver o maior problema das lojas online de música, que contam com catálogo limitado e pouca facilidade na hora de escolher. Um assunto, inclusive, abordado em uma das colunas anteriores aqui na Backstage, na época do lançamento do Windows Media Player 10.

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