Novos tempos, novas táticas de conquista (online)

Paulo Rebêlo // junho.2005

Às vésperas do Dia dos Namorados, o apelo comercial da data não é novidade para ninguém. Ao mesmo tempo, a ladainha dos solitários de plantão não surpreende, sobretudo quando se origina daquelas pessoas que não admitem passar mais um dia dos namorados sem companhia. É como um atestado não-escrito de incompetência social.

O fato é que, com o advento da Internet e da crescente popularização de acesso, nunca foi tão fácil encontrar companhia. Mesmo que seja uma companhia, digamos, passageira ou quebra-galho.


Apesar de toda a facilidade e da extensa lista de sites para arrumar namorados sérios ou não tão sérios assim, os urbanóides conectados continuam a reclamar e a encher a paciência dos outros com a solitude do dia dos namorados, que este ano vai cair logo no dia do Faustão.

Mais empolgante, impossível.

Uma das principais reclamações? Conheceu fulano em determinado site e depois viu que ele não era nada do que aparentava ser, que era mais gordo, mais careca e mais baixinho do que na foto. É que a Internet tem dessas peculiaridades…

Para solucionar o problema dessas criaturas, uma nova geração dos sites de relacionamentos resolveu rever determinados conceitos. Em vez de oferecer perfis com fotos e dados pessoais os quais, comumente, são mentirosos ou forçados, agora o internauta-indócil pode conferir os relatórios feitos por ex-parceiros ou ex-ficantes, por assim dizer. É como um test-drive: você experimenta e, se não gostar, coloca no site o que aquela criatura tem de bom ou ruim. Os próximos chegam, conferem e atestam.

Pelo site greatboyfriends.com, por exemplo, há uma série de perfis dos solteiros disponíveis, porém, tudo é escrito e publicado por outras pessoas. Os ex-ficantes ajudam a lhe mostrar o que aquela pessoa tem de realmente interessante ou não.

Um outro serviço, batizado de Eight at Eight (”oito em oito”, tradução livre), coloca na mesma mesa de jantar oito pessoas diferentes: quatro homens, quatro mulheres. Assim, todos vão se conhecendo ao mesmo tempo sem o habitual estresse do encontro às escuras (blind date) tão comuns nos sites de relacionamentos, principalmente no Brasil.

Infidelidade internética –

Quem observa o cotidiano dos urbanóides conectados tende a não se surpreender. A presença da Internet e as facilidades de comunicação online são, sem a menor sombra de dúvidas, um caminho pronto e fácil para a infidelidade.

Da infidelidade online, aquela do tipo bate-papo via MSN, até a infidelidade presencial, com os encontros cordiais para se tomar um café à noite. Não tem dia dos namorados que dê conta. Cá está, novamente, a Internet para apresentar um novo prisma sobre a infidelidade.

Sites específicos de relacionamentos começam a oferecer serviços de detetives online-relacionais. No site Cheatingspousesonline.com, por apenas 30 dólares você pode contar com especialistas contratados pela empresa para verificar tudo que seu parceiro faz na Internet.

Os detetives da discórdia garantem que conseguem confirmar se a pessoa, mesmo que seja (ainda) fiel, está usando a Internet para procurar eventuais puladas de cerca ou aventuras. Uma das táticas? Mandam um e-mail bem escrito e iniciam uma conversa amigável, dão atenção e procuram saber dos problemas dela – para ver até onde a pessoa se envolve e se deixa encantar.

Em uma época ordinária, estressante e cada vez mais conectada como a de hoje, não é de se espantar que fiquemos vulneráveis a mais essas picuinhas digitais. Não é à toa que os piores vírus de computador são aqueles que chegam por e-mail com mensagens, cartas de amor e cartões virtuais. Afinal, o que todos querem é mesmo se conectar aos padrões estabelecidos.

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