O maior medo do homem

by

Paulo Rebêlo
NE10 | 03.junho.2012 | link

Nosso maior medo é que ela se case com outro.

Não importa quantos namorados ela arrume, quantas viagens ela faça e com quantos homens ela resolva ter um caso. Desde que não coloque uma aliança. Porque enquanto ela não casar, sempre há esperança de que ela vai voltar.

Até que ela resolve casar. E de repente, tudo perde o sentido.

Só que os anos passam e a gente começa a refletir sobre a quantidade de mulheres casadas que conhecemos depois daquele fatídico convite de casamento.

Então, pensamos: se o casamento pode perder o sentido para tantas mulheres, talvez um dia também perca o sentido para ela. Nosso maior medo pode ter se transformado em apenas mais um dentre tantos outros casamentos falidos pelo mundo.

Voltamos a ter uma certa esperança de reencontrá-la.

Até que ela resolve ter um filho.

E tudo perde o sentido mais uma vez. Porque filho é para vida toda e ela sempre compartilhou esse sentimento conosco. Mesmo que ela não goste do marido, mesmo que o casamento esteja falido, se ela resolveu ter um filho com o mesmo cidadão é porque para ela nada mais pode dar errado. Não há mais margem para manobras. Será para vida toda. Tornou-se o nosso maior medo.

Só que os anos insistem em passar novamente.

O guri, que deveria ser nosso, mas não é, cresce, faz barulho e já não depende tanto da mãe. O que deveria ser para vida toda, a gente começa a ver que não é mais.

E voltamos a ter uma certa esperança de reencontrá-la, principalmente quando pensamos na quantidade de mães solteiras lindas e fantásticas que conhecemos nas últimas décadas. Mulheres que também acharam que o casamento era o início do fim das procuras, o início do fim da longa espera por uma relação saudável e tão sonhada.

Nada impede que ela também não tenha se transformado em uma dessas mães solteiras, apenas esperando um reencontro.

Somente a projeção dessa situação é suficiente para multiplicar-se em maiores medos.

O medo de não ter aprendido nada depois de tantos anos. O medo de que ela não lhe reconheça mais. O medo de não haver mais nada. O medo de tudo parecer uma grande asneira. O medo de ela não ter se arrependido daquele dia que colocou uma aliança no dedo querendo que fosse você no lugar dele.

São tantos medos que a gente prefere o conforto de estar longe. Manter a ilusão idealizada de que, mais dia ou menos dia, a campainha toque. Mesmo que ela não faça a menor ideia em que lugar do mundo você esteja agora.