Coreano ‘Mother’ é nova sensação do diretor de ‘O Hospedeiro’

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Paulo Rebêlo
Pipoca Moderna – 29.out.2009

Existe uma regrinha básica para filmes asiáticos: quando eles conseguem ultrapassar a barreira cultural, garantir distribuição no Ocidente e ganhar espaço na sala de cinema, você nunca deve deixar de assistir. Porque, depois dessa peneira, a probabilidade de decepção até existe, mas é bem pequena.

“Mother” (Madeo, Coréia do Sul, 2009) segue à risca essa premissa, colocando a Coréia capitalista mais uma vez no pódio em que poucos filmes conseguem chegar de fato: o de oferecer uma experiência cinematográfica ímpar e diferente de tudo que você costuma ver.

E neste filme do roteirista e diretor Joon-ho Bong (o mesmo do cultuado “O Hospedeiro”, 2006) é a mãe do título quem leva a uma experiência muito gratificante. A atuação da senhora Kim Hye-ja é visceral, para dizer o mínimo. Ela segura o filme do início ao fim, se entrega totalmente e faz você suspirar fundo diante de tamanha dedicação ao papel, na tentativa de descobrir quem são os responsáveis por um assassinato no qual seu filho de problemas mentais foi incriminado.

A atuação desta jovem senhora, mais conhecida na Coréia pela participação em comédias, segura até mesmo os vai-e-vens do roteiro escrito pelo próprio diretor com a ajuda de um desconhecido Eun-kyo Park. Ela vai a extremos. Até o desfecho surpreendente, algo que já se tornou praxe para as produções coreanas. Se existe um Oscar coreano, está garantido para ela.

Uma pena que Kim Hye-ja tenha passado despercebido no festival de Mar Del Plata deste ano, quando o júri indicou “Mother” ao prêmio de melhor filme. Fica a dica de outros ótimos filmes do mesmo diretor, que foram lanaçados em DVD no Brasil: “O Hospedeiro” (The Host, 2006) e “Memórias de um Assassino” (Salinui chueok, 2003). Este último tem muito em comum com “Mother”.

  • é exatamente isso!!!
    ótima crítica, a melhor q eu já li sobre o filme.

    Realmente ele me surpreendeu… fazia tempos q eu n saia do cinema com uma sensação estranha no estômago, dessas de quando o filme mexe mesmo com vc… fica na sua cabeça…